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Mãe

Crónicas de uma Mãe Divorciada | Então e os Filhos no Meio Disto

Por Kiki

Um dia, mais previsível para umas do que para outras, vêmo-nos sozinhas com os nossos filhos e com uma dura notícia para lhes dar. Quebra-se um sonho construído supostamente a dois, depois a três e depois a quatro. Quebra-se um projecto de uma vida. Fica a sensação de fracasso, o vazio, a frustração, a tristeza, por vezes a raiva...
E de repente ficamos com um turbilhão de coisas a passar-nos pela cabeça, mas ficamos também com os "restos" de um casamento nas mãos. Os filhos! E são eles que devem transformar-se sempre na nossa prioridade!
E para quem sai de casa, seja ele ou ela, por muito que custe, é sempre mais fácil. Saem e fazem-se à vida. Enquanto que quem fica com os filhos, tem de lidar com a realidade e ainda ficar com a batata quente na mão. Foram poucas ou nenhumas as vezes que eles me viram chorar mesmo quando punha os óculos escuros no carro ou no parque porque não conseguia conter todas as emoções que me passavam pela cabeça, pela alma, pelo coração... Se poucas forças havia, essas eram utilizadas para mostrar sempre o maior sorriso e a melhor disposição aos meus filhos. E só quando eles iam para a cama e a casa ficava mais calma é que era hora de limpar a alma e deitar para fora tudo o que se tinha guardado ao longo do dia. Fazia-me bem. Carpir a dor que sentia e largar o turbilhão de sentimentos que iam cá por dentro. Choras noites a fio e, tal como uma alcoólica, começas, devagar a erguer-te e a contar as noites sem lágrimas. "Já não choro há 2 noites! Já não choro há 5 noites! Já não choro há 16 noites!" E assim é até te esqueceres de contares e até conseguires de novo voltar a ti.

O mais difícil é dar colo a filhos sem mostrar que quem precisa de colo somos nós. Explicar-lhes o que se estava a passar e ver a cara deles foi talvez a coisa mais difícil que fiz em toda a minha vida. Dizer as coisas devagarinho e as vezes que fossem precisas: os pais já não são namorados! Agora são apenas amigos! Os amigos não vivem na mesma casa, mas visitam-se sempre que têm vontade.
Explicar-lhes infinitas vezes que os pais os adoram acima de tudo e para sempre, independentemente de viverem ou não na mesma casa.
Que isso é a única coisa que não irá mudar nunca! E ver um coração de 4 anos a fazer perguntas, a chorar, a querer o pai quando o pai não está, a mãe quando a mãe não está. A pedir para os pais voltarem a dormir na mesma cama... Não foi fácil... Não foi mesmo nada fácil...
Ver os filhos a sofrer por causa de erros dos pais é mesmo a pior coisa do mundo. E o que eu mais queria na altura era que, um dia, eles nos perdoassem por estarmos a fazê-los passar por aquilo e poder passar aquela dor para mim.
Sempre fizemos questão de não discutir na frente deles. NUNCA! Sempre fizemos questão de lhes mostrar que a culpa não era deles. Não é preciso verbalizar isso. Apenas passar-lhes essa energia.
Achei por bem pedir conselhos a uma psicóloga para saber gerir a situação e as conversas com eles da melhor forma possível. E é muito importante estarem os dois presentes e ouvirem ambos o que é melhor para os filhos.
Devemos sempre evitar ter conversas sobre o assunto à frente deles e nunca, NUNCA, permitir que ninguém critique o pai deles à frente deles. Nunca! E nunca dizer mal do pai deles a eles ou à frente deles! Ou mandar aqueles recados parvos pelos filhos que às vezes dá vontade! "O teu Paizinho que trate disso! Não foi ele que se foi embora?" (TINÓNINÓNI!!!!!!!!)
Independentemente de tudo, pai é pai! E o pai dos nossos filhos tem de ser respeitado à frente deles. Mesmo que a única coisa que nos apeteça, seja chamar-lhe mil nomes ou desancá-lo.
Aos poucos eles entram na nova rotina. Aos poucos entendem a nova realidade. Aos poucos ganham de novo confiança e percebem que os pais, que agora são só amigos, vão ser sempre os seus pais e eles continuam a ser os nossos filhos para sempre e incondicionalmente. E aos poucos voltam os sorrisos e as gargalhadas.

E quando vemos que os filhos retomam a vida normal e aceitam a realidade, o nosso coração de Mãe volta a respirar, volta a bater, volta a sorrir! O alívio e a felicidade de os ver bem e serenos é o primeiro passo para conseguirmos finalmente olhar para nós! E a partir daí, olharmos de novo ao espelho, observarmos o que restou, o que pode ser "aproveitado" e o que podemos renovar. E começarmos então a reconstruir o nosso caminho e a olhar em frente!!

Chega-se lá! Atravessa-se o deserto mas chega-se lá!!!!

Sigam as tiradas bem dispostas e as reflexões certeiras da Kiki no maravilhoso Família 3 e 1/2

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