Esta semana faz 4 anos do pior dia da minha vida.
Levei os meus filhos de 4 e 2 anos ao shopping para poderem colocar a carta ao Pai Natal no correio. E enquanto eles construíam sonhos, os meus desfaziam-se!
Lembro-me pouco do que falávamos. Mas tenho a imagem do marco do correio com ligação directa ao Mundo dos Sonhos e das mãos deles bem esticadas para lá conseguirem chegar. Lembro-me de ter um sorriso na cara. Completamente falso encravado. Única e exclusivamente para eles! E lembro-me de chegar a casa, acender as luzes que deviam estar acesas e abrir uma frincha do armário. Espreitei lá para dentro pelo canto do olho porque se abrisse os dois, ia ser pior. O armário estava realmente vazio.
Entre momentos de bloqueio e vazio, também houve momentos de profunda dor. Raiva, tristeza, frustração, indignação... A luz do dia era a minha maior companheira. Porque à noite, quando punha os filhos na cama, a realidade caía sobre mim. Chorei semanas a fio, até as lágrimas secarem para sempre. E eu que sempre fui de lágrima fácil, nunca mais consegui verter uma.
A vida foi-se recompondo. Somos obrigadas a encontrar novas rotinas. Aos poucos voltas a sentir o corpo, voltas a dar gargalhadas. Percebes que o tempo em que as crianças estão fora é essencial para ti! Para te encontrares e para seres alguém. Percebi que muitos clichês são efectivamente verdades absolutas. E que quando Deus fecha uma porta, abre sempre uma janela. Ou muitas! Que às vezes o avesso da vida é o lado mais certo! Que o tempo tudo cura! Que na escuridão se vê a luz! Todos estes clichês que me foram ditos na altura sem sentido nenhum, um dia passaram a fazer sentido para mim.
Conheci pessoas que nunca conheceria. Tive experiências que nunca teria. Dei um valor a mim que nunca daria. Descobri forças que não conhecia. Voltei a namorar. Voltei a aprender a flirtar. Voltei a conhecer o verdadeiro sabor do que é viver.
Estar sozinha era um pavor para mim, hoje em dia é essencial! Ganhei as minhas rotinas e percebi que estar sozinha não significava ser solitária. E ter os meus momentos sozinha, hoje em dia, é algo de que não abdico.
Destes 4 anos, parece que passaram 10. Sinto um enorme orgulho por ter chegado onde cheguei. E só desejo que as mulheres que passam por isto, consigam chegar até aqui também. Porque a realidade é que não é fácil. Principalmente para nós mulheres que normalmente ficamos com os filhos em casa. O caminho é longo, mas a verdade é que, com o tempo, chega-se lá!!
Chega mesmo!! E quando se chega, é um alívio tão grande que é como renascer outra vez!
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