Eu roo as unhas desde pequenina, era terrível e assim continuou, até hoje, e hoje o Pedro roi as unhas.
Eu sempre sofri de insónias, desde pequenina, era terrível, e hoje, o Miguel está-se mesmo a ver que vai pelo mesmo caminho.
A minha irmã sempre foi um castigo para comer e hoje, a minha Rica Sobrinha II é um castigo para comer.
Filha és, mãe serás, é esta a doce vingança escondida neste provérbio? Mas porque é que será que aqueles pequenos grandes defeitos que temos e que tanto moíam a cabeça aos nossos pais depois voltam nos nossos filhos para nos atormentar? Será o castigo mais irónico de todos pelos nossos defeitos de anos sem fim? Só pode, porque agora, lá levo eu com a paga divina pelos anos de castigo aos meus ricos pais!
Realmente...
Quando eu era pequenina, roía as unhas. Aliás, não me lembro de não ter as unhas não roídas, ainda antes de me ter como gente, já roía as unhas. Esse meu primeiro vício de todos os muitos meus, era o que mais moeu os meus pais. Anos e anos da vida deles e mandar-me deixar de roer as unhas, e eu nada, até hoje. É vicio. Pois hoje, o Pedro roi as unhas. E eu fico doida e já lhe estou a fazer guerra cerrada!
Eu sou terrível para dormir. Simplesmente não preciso de dormir tantas horas como o comum mortal e aguento o dia seguinte estoicamente sem café. Quando eu era pequenina e nós os três irmãos dormíamos no mesmo quarto, era falar para um lado e a mana apagadinha de todo (levava um minuto e meio a adormecer) e virar-me para o outro e o mano estar enfim apagado (aguentava mais uns 10 minutos) e eu, nada. Insónias na infância é uma grande angústia, serem onze da noite, já estar deitada há duas horas e nada, aos seis anos é muito aflitivo. E lá ia eu parar à sala, aflita, o meu pai impaciente e a minha mãe a dar-me a dica infalível: pensa em coisas boas, olha, no Pato Donald. E lá ia eu recambiada para a cama a pensar no Pato Donald. Devia ser uma grande seca para os meus pais... Pois hoje, o Miguel não dorme e não se abala de todo com isso. Dorme bem de noite mas nada de jeito de dia e sempre em festa. Já estou a ver o futuro dos nossos serões, a dar dicas requentadas do Pato Donald!
E a minha irmã, por exemplo, tem a versão dela, com os seus piores defeitos e estou a ver que assim se repete com todas as mães por aí...
Desculpa mãe, agora eu compreendo todas os raspanetes e revirar de olhos!

Fotografia: Sara Pita Marques
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