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Filhos

Crianças menos tecnológicas, precisam-se

Por Inês

As crianças e a tecnologia é um tema que me preocupa. Vejo demasiadas crianças, desde miúdos, desde bebés, constantemente em frente a um ecrã, nas mais variadas ocasiões, e faz-me impressão. Não parece, mas é sempre demais.

O Pedro foi-se criando distraído da televisão e apenas começou a ver já tinha mais de um ano. Agora é viciadão, se pudesse, ficava o dia inteiro a ver TV. Claro que o maninho levou com Pandas e afins desde sempre, mas ainda hoje eles não estão autorizados a ver o Panda Biggs ou Disney Chanel, só mesmo os básicos. E não se ralam. Ralam-se mais por eu não os deixar estar constantemente agarrados ao meu telemóvel ou ao iPad da avó, mas eu faço o maior esforço para não os deixar entrar nessa espiral. Sempre que se apanham com aquilo na mão jogam jogos parvos, vêem vídeos ainda mais parvos, disputam aquilo com discussões acesas, não ouvem nada nem ninguem, não se aprende nada no iPad.

Além de que, estudos mostram que não só as emissões do Wi-Fi, da rede móvel de internet e telefone e dos aparelhos em si são de evitar em cima de cérebros tão tenrinhos, como o desenvolvimento e o saber estar fazem-se no mundo real, não no virtual. Eu não gosto da alienação em que eles ficam. Uma coisa é a parvoice das caretas do Snapchat, uma rolha à espera do médico ou quando o jantar fora já vai arrastado. Mas por sistema, é alienação, desresponsabilização e um mau hábito. 

Em nossa casa, os pais têm o seu laptop e o seu telemóvel (que pomos em modo voo ao deitar) e há apenas uma televisão. Mais nada. Não há ipads, não há mais TVs, nem vai haver. Os miúdos não vão ter televisão no seu quarto e quando chegar a altura, haverá o computador da comunidade, na sala. Telemóvel próprio seguramente ainda está longe, nem o Pedro percebe porque é que alguns coleguinhas do segundo ano já têm telemovel. É uma parvoice, digo-lhe eu.

Mas enfim, este é o tempo deles e todas as tecnologias fazem parte do seu mundo, nem nós o queremos evitar. Vivemos em tempos velozes, e parece que novos desenvolvimentos em telefones, tablets, aplicativos e similares podem acontecer num piscar de olhos - constantemente em movimento, em constante evolução.

Estima-se que as crianças possam passar até entre 8 a 10 horas por dia em telefones, tablets ou laptops. E, esse número nem sequer inclui o tempo em que a tecnologia é usada para a escola. Se essa estatística é verdadeira em sua casa, pode haver momentos em que olha para cima e todos estão colados ao seu dispositivo de escolha. Dito isto, talvez seja hora de considerar retomar o controle de sua família, e cortar a tecnologia. Estabeleça limites de quanto tempo é gasto a navegar em redes sociais, mensagens de texto, jogos ou vídeos.

Eu tenho bem claro para mim, mas sim, pode ser difícil saber claramente onde traçar a linha quando se trata dos filhos e seus dispositivos, se os houver. Quando é que o entretenimento inofensivo se transforma em hábito pouco saudável? Pode ser difícil dizer. Eu tenho estes princípios e regras bem claras, e espero que resistam por muito tempo...

- Apenas uma televisão em casa, para todos. E quem manda no comando, sou eu (que adoro encontrar filmes da Disney para o Pedro ver, que eu própria nunca vi no meu tempo...)

- Nao há tablet. Ponto.

- Quando houver computador para eles, vai ter poiso numa zona comum;

- Nós damos o exemplo. Faço um esforço enorme, mais do que o pai (cof cof cof ) para não termos o telemóvel constantemente nas mãos quando eles estão por perto;  

- As horas das refeições são sagradas, o meu telemóvel fica na cozinha e só sai de lá para macacadas em conjunto ou FaceTime de família; 

Devia mesmo ser uma regra geral que, sempre que a família esteja a jantar ou partilhar qualquer outra refeição em conjunto, esas refeições sejam uma zona livre de telefone. Sem chamadas, sem textos, sem notificações, sem vídeos. Se passarmos entre 20 a 30 minutos a jantar, não custa tentar manter a tecnologia afastada nesse momento, e em vez disso tentar falar sobre o que se vai passando na vida uns dos outros.

- Quando chegar a altura, espero que lá para o 2º ciclo, no minimo, o telemóvel vai ser herdado, nada de tecnologias de ponta novinhas em folha.

- Penso que apenas poderei dar um telemóvel a um filho meu quando puder confiar plenamente nele e no seu bom arbítrio, porque ele vai ter de ter direito à sua privacidade. Não posso dar-lhe um telemóvel e andar sempre a policiar o bicho. Mas o acesso não me vai poder ser negado, a pedido e ao lado dele.

- Ainda não sei bem como vou fazer isso, mas acho que vai ter de haver um tabuleirozinho à porta dos quartos para lá deixar o telemóveis durante a noite,  começando pelo meu, que pecadora me confesso! Mas por isso mesmo sei bem o mal que faz...

Existem inúmeros estudos médicos que demonstram porque é que os miúdos irem para a cama com seu telefone ou tablet é uma má idéia. Por exemplo, está demonstrado que os adolescentes que levam a tecnologia para a cama com eles enviam uma média de 34 textos e mensagens por noite depois de deitados. Assim não há quem durma!

Quais são as vossas regras e fraquezas? Acham que têm a cena dominada ou está na hora de levantarem a cabeça do vosso aparelho e olhar bem para o que está perante os vossos olhos?

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