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Sexo?! Quero! Mas dói-me tanto!

Por Soraia Pires

Sexo?! Quero! Mas dói-me tanto!

Antes de começar a explicar porque pode, às vezes, doer tanto, preciso que liberte a sua cabeça de tabus e entenda que sexo não se resume a penetração. Mas se dói, pode haver uma alteração e poderá haver vários motivos na base da mesma.

Hoje falar-se-á de Dispareunia, Síndrome da Dor Vulvar Crónica e Vaginismo. Sabe do que se trata? Se não sabe, eu explico!

 

O que é Dispareunia?

A Dispareunia, numa definição simples, é a dor, repetida e prolongada no tempo, que a mulher sente, durante a penetração, ou mesmo antes, por antecipação da dor e depois do coito.

Esta dor caracteriza-se de várias formas, porém, de um modo geral esta dor sexual assemelha-se a uma sensação de queimadura, ardor, como se houvesse atrito repetidamente, ou mesmo, sensação de rasgar, nalguns casos. Gradua-se de leve até severa, dependendo das queixas.

A Dispareunia pode ser localizada ou generalizada. Sendo que, a primeira se define por ser de fácil identificação do ponto doloroso (clítoris ou lábios, por exemplo), e a segunda, abrange toda a zona genital, tornando-se difícil definir um ponto exato (vagina, útero, bexiga em conjunto).

Há mulheres que sempre apresentaram esta dor durante a penetração, desde o início da sua atividade sexual, nestes casos, estamos perante Dispareunia Primária. Se a sintomatologia aparece mais tarde trata-se de Dispareunia Secundária.

O que é a Síndrome da Dor Vulvar Crónica?

Caracteriza-se por desconforto na região vulvar – grandes e pequenos lábios, introito vaginal e clítoris. Esta Síndrome é a maior causa de Dispareunia em mulheres, antes da menopausa.

Neste quadro, os MPP podem desenvolver hipertonia como resposta ao desconforto inicial causado pela tentativa de penetração.

Gradua-se, inicialmente, como uma dispareunia superficial, que desaparece durante o coito com ardor após o coito, tornando-se este gradualmente mais doloroso, até ser impossível, sendo o grau mais severo, quando a dor se mantém durante as atividades não sexuais (atividades da vida diária).

A constante contração dos MPP pode resultar de hábitos miccionais errados (adiar a ida ao wc), exercício intenso (alta competição), stress (traumas emocionais ou traumatismos) e leva a alterações gastrointestinais, urogenitais, sexuais e psicológicas.

 

O que é Vaginismo?

O Vaginismo, que também é um tipo de dor sexual, é definido como a dificuldade, repetida e prolongada no tempo, que a mulher experimenta para permitir a penetração com o pénis, um dedo e /ou algum objeto (espéculo), independentemente do desejo de o fazer, apresentando, aqui, uma contração involuntária dos Músculos do Pavimento Pélvico.

Pode graduar-se desde a total incapacidade em ter uma penetração sem dor, até uma possível penetração, porém dolorosa, em algumas ou na maioria das vezes – dispareunia.

A principal característica desta disfunção é a incapacidade de relaxar os MPP, produzindo, pelo contrário, uma contração involuntária dos mesmos, favorecendo o fecho da vagina, impedindo assim, a penetração. Levando a um círculo vicioso de contrações dos MPP que podem estar associadas a dor ou medo, por norma, inconscientes.

Para a descansar, o Vaginismo não se encontra, necessariamente, relacionado à masturbação ou orgasmo. As mulheres podem masturbar-se, mesmo que sem penetração, e alcançar o orgasmo.

 

Se eu tiver Vaginismo, o que devo fazer?

Em primeiro lugar, deve identificar-se o tipo e o grau de vaginismo, sendo muito importante que recorra a um médico Ginecologista para se informar devidamente.

O tratamento para os dois tipos de vaginismo consiste num acompanhamento multidisciplinar de Psicoterapia e Fisioterapia especializada (Saúde da Mulher).

 

O que pode causar dor na relação sexual?

A dor sexual está ligada a uma série de fatores internos e externos como:

Infeções vaginais

Esta é a causa mais comum, como Candidíase, infeções por bactérias ou protozoários. As infeções vaginais, especialmente na mulher sexualmente ativa, são bastante comuns, mas, por norma, têm tratamento simples e rápido.

As principais características de uma infeção genital são o corrimento, que pode não estar sempre presente, o prurido e a hiperemia (comichão e vermelhidão).

As infeções genitais podem ou não causar dor na relação sexual, mas se desconfia que está perante um caso destes, o ideal será consultar o seu ginecologista, o mais brevemente possível. Quanto mais rápido procurar tratamento, menos transtorno terá.

Descoordenação dos Músculos do Pavimento Pélvico (MPP)

Os MPP são os responsáveis pela pressão que se sente na entrada da vagina aquando da penetração. Desempenham um papel fundamental aqui, pois é necessário o seu relaxamento, para que a penetração seja possível e dê prazer à mulher e ao parceiro.

Contudo, verifica-se, nalgumas mulheres, a incapacidade de relaxamento dos MPP, e daqui pode resultar uma maior dificuldade de penetração, pois os músculos fazem resistência à passagem do pénis.

Esta disfunção pode tratar-se com Fisioterapia. Se se identifica com esta descrição contacte um Fisioterapeuta com Especialização em Saúde da Mulher, pode ser mais simples do que pensa resolver esta questão e voltar a sentir prazer.

Dor neurogénica

Os nervos são os responsáveis pela condutividade elétrica no corpo. Estes levam estímulos do cérebro para os órgãos e músculos. Alguns casos de dor sexual têm na sua origem a hipersensibilidade nervosa. O que deveria sentir-se como um toque suave é, na verdade, percebido como um estímulo doloroso.

Traumatismos

Aqui residem as lesões decorrentes do parto (agravado pela sua caracterização), acidentes de viação, ou danos colaterais de cirurgias perineais.

Traumas psicológicos

A dor sexual pode também ser consequência de alterações psicológicas, por abuso sexual, educação rígida e castradora e violação. Aqui, como o stress emocional poendo não ser consciente, tornará mais difícil uma associação à dor. Nestes casos, é fundamental que contacte um Psicólogo, um Psiquiatra ou um Terapeuta Sexual, para ajudá-la a ultrapassar da melhor forma este quadro.

 

O que posso fazer para resolver esta sintomatologia?

Em primeiro lugar, tenha presente que a dor sexual pode ter diversas causas na sua origem. Logo, o primeiro passo deverá ser consultar o seu Ginecologista para que ele diagnostique o problema concreto. Para um tratamento adequado é imprescindível um diagnóstico adequado.

Tratamento farmacológico

Este tratamento será prescrito pelo médico. Por favor, não se automedique. Mesmo que já tenha passado por um quadro semelhante e ache que sabe do que se trata, vá ao médico! Automedicação é imprudente e perigosa!

Tratamento psicológico

Qualquer das situações acima referidas, por se tratar de algo tão íntimo, influencia amplamente o estado emocional, torna-se por isto, fundamental que estes problemas sejam acompanhados por um profissional, da área da saúde mental, especializado.

Existem vários especialistas que podem ajudá-la a perceber se a origem do seu problema é do foro emocional. Os mais indicados serão: Psiquiatra, Psicólogo ou Terapeuta Sexual.

Deixo aqui o link da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica, que pode ser servir-lhe como ponto de partida. Encontrará profissionais credenciados, perto de si.

Fisioterapia

Os casos acima identificados têm por norma - por base ou por consequência - uma componente física associada, relacionada com o conhecimento, ou falta dele, do esquema corporal, de um modo geral e genital, de um modo particular, à elasticidade e descoordenação dos MPP.

Estas alterações físicas podem – e devem – ser tratadas com Fisioterapia. O tratamento vai depender, portanto, da avaliação por parte do profissional. Mas o plano passa por restaurar autoconhecimento do esquema corporal e funcionalidade muscular (consciência, contração e relaxamento corretos), através de técnicas e exercícios específicos. Para isto deve recorrer a uma Fisioterapeuta que, tal como eu, seja especializada em Saúde da Mulher. Esta é uma área da Fisioterapia que demonstra bastantes resultados, sendo considerada o tratamento de primeira linha para Disfunções do Pavimento Pélvico.

 

Se é de Aveiro, e achar que eu posso ajudar, procure-me! Pode encontrar-me para consulta na Clivida.

Beijinhos,

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2 comentário(s)

Marisa15 de Fevereiro, 2017 às 11:57:07
Responder

Olá, não sei bem se sofro desse problema, o que sei é que tenho 38 anos, e sempre tive muitas dores durante o acto sexual, o que me leva a ter pouco ou nenhum desejo sexual. Fazer uma citologia para mim é um acto de tortura, tenho de me preparar psicologicamente com muito tempo de antecedência porque já sei o que vou sofrer. Na ultima vez ate chorei, e ter um ginecologista que me diz " oh coitado do teu homem, deve passar uns trabalhos !! " e depois diz ao meu marido que isto é tudo da minha cabeça, não ajuda nada...

Soraia16 de Fevereiro, 2017 às 19:23:10

Olá Marisa, Pode entrar em contacto comigo através da página de facebook (Estamos Grávidos)ou mail? Beijinhos. globalespaco.s@gmail.com

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