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Mãe

Pouco de nanny, nada de super

Por Inês

Vi o novo programa da SIC, o Super Nanny, por dever de ofício. Pelo que já tinha visto em anúncios, não me puxava nada, estava mesmo a ver que dali não ia sair grande coisa. Mas tive de ver, nem que fosse para saber do que é que se estava a falar com tanto alarido no meu mural do Facebook. Fui ver, e continuei a ver, como uma voyeur que fica a ver um acidente de carro na beira da auto-estrada, a criar uma fila de curiosos que não tem nada que existir. 

Estive muito indecisa em escrever este post, porque não quero explorar este tema: não quero fazer parte do linchamento da mãe, não quero chamar o foco para a criança, não quero fazer publicidade ao programa, muito menos dar lições de parentalidade ou psicologia. Mas é impossível ficar indiferente, não é? É impossível ver aquilo e pensar, "não vale a pena", ou "não é nada de especial". Tem que haver uma reação, e essa reação tem de ser audível, não pode ficar para nós. Não podemos deixar-nos cair no lodo da normalização de uma situação daquelas. A menina tem exactamente a idade do Pedro, toca a mim. 

Parece que entretanto a Comissão de Proteção de Crianças e a Ordem dos Psicólogos já se está a mexer, na esperança (minha) de que os restantes episódios que já estão alinhadinhos e prontos para serem lançados, um a um, afinal nunca saiam para o ar. Seria bom. E seria bom que isso acontecesse por bom senso das autoridadades, não por exigência do público. Por isso mesmo, fico um nadinha mais descansada, já não me toca o dever moral de denunciar aquela situação, já está denunciada.

Dar umas luzes de parentalidade, ou bom senso, faz muita falta hoje em dia, para todos nós pais - os desafios são muitos e as skills cada vez menos, mas tal não pode ser feito à conta da exploração degradante da intimidade e vida privada da própria criança. 

Ao ver o programa, saltei directamente a parte do choque e ira e passei à tristeza. Não é vergonha alheia, não é indignação, é tristeza.

Fico triste se um programa destes tiver audiência na nossa televisão. É o grau -5 da reality TV. Fico triste por ver uma mãe tão perdidinha, ou tão gananciosa (por poucochinho, parece que €1.000,00), para sujeitar-se a um programa destes para tentar endireitar a vida. Fico triste por ver que a conversa de cátedra daquela senhora que não se assumiu como psicóloga, mas antes como medidadora familiar, era tão básica e cheia de clichés como aquela. Fico triste por conceitos tão básicos como autoridade parental e comportamentos tão instintivos como não admitir que se bata, sejam uma novidade total ou uma improbabilidade. Fico triste por ver aquela miúda tão perdida como a mãe, a precisarem ambas de ajuda, mas clamorosamente aquela não ser a melhor forma de ajudar. Fico triste por agora termos outra Margarida que deu nas vistas na reality TV portuguesa, mas esta não ter escolhido estar ali. (Lembram-se? "Fostes tu que escolhestes Margarida, o teu pai já nem faz a barba, eu não posso ir ao supermercado"? Ah, those were the days!).

Agora é só uma tristeza, um espetáculo triste que não encontra pudor do lado dos pais, nem do lado dos que dão a cara pelo programa (a super nanny, a própria), nem do lado de quem edita os vídeos e serve um pedaço de pão deprimente como aquele para o prime time da nossa televisão. Espero não ter de voltar a parar à beira da estrada para ver mais um e mais outro episódio disto. 

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