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Mãe

Crónicas de Uma Mãe Divorciada | Os filhos são nossos

Por Kiki

 

Os filhos são nossos. Porque saíram de nós. Não da nossa barriga, mas de nós. Daquilo que construímos. E embora tenham nascido de um amor que já não existe, esse amor acaba por existir para sempre. Neles. Porque foi de amor que eles foram feitos. Da carne com carne, do beijo com beijo.
Terão sempre um pouco dele, terão sempre um pouco de nós. Nem que seja o mau feitio do pai ou o jeito fantástico para dançar da mãe. (Cada um que puxe a brasa à sua sardinha como quiser.)
Numa separação, acaba-se o casal, acaba-se aquele núcleo familiar. Mas os filhos levam até à eternidade aquilo que um dia existiu. E por isso serão sempre nossos. Tão meus. Tão dele. E só por isso merecem todo o nosso respeito e toda a nossa consideração.
Eu entendo o coração de uma mãe que sofre por ter de deixar um filho ir para o pai. Seja para férias, seja para fins-de-semana. Entendo o amor visceral que faz uma mãe sofrer por ter de deixar o filho ir. As saudades dilacerantes. Também a mim me custou tanto, doeu por dentro. As primeiras noites que eles dormiram longe de mim. As primeiras noites que não rezámos juntos o anjo da guarda, que não pus a almofada na posição que eles gostam, que não lhes dei aquele beijo igual a todas as noites desde que nasceram. Juro que entendo. Mas um pai ama tanto um filho como uma mãe. Eles são tão nossos quanto deles. E um pai (ou mãe) não pode ser privado desse privilégio. Nem os filhos! De os deitar na cama à noite e de se deitarem com o pai, de lhes dar aquele abraço quentinho e de receberem aquele abraço quentinho. De os ver acordar no dia seguinte e de se enrolarem no sofá com o leite e os desenhos na televisão. Porque quando uma mãe priva o pai de o fazer, não está só a privar o pai. Está também a privar o filho.
Com o tempo apercebemo-nos que é tão importante para eles o tempo que passam do lado de lá, como é o tempo que passamos nós sozinhas sem eles. Porque temos um privilégio que as mães casadas não têm. Tempo!
Tempo para dormir, tempo para sair, tempo para namorar, tempo para ler, tempo para ir ao ginásio. Nem que seja para arrumar a casa sem tropeçar nos brinquedos que acabámos de arrumar 5 minutos antes. Tempo para não fazer nada! Tempo!
Aquele tempo que tanto reclamávamos que não existia. E por isso, temos de ver o copo meio cheio.
É importante! É muito importante que nunca nos esqueçamos disto. Quando um dia tivermos vontade de lhes (ao ex) mostrar que estamos zangadas, tristes, frustradas, não nos esqueçamos! Os filhos são feitos do nosso amor. Que mesmo que já não exista em nós, existe neles. Que não saíram só da nossa barriga. Saíram de nós! E são tão nossos, quanto deles.
E nós recebemo-los de volta preenchidas, realizadas, relaxadas e descansadas e eles voltam para nós felizes e completos! Completos porque têm tempo de pai e tempo de mãe. Porque recebem amor de pai e amor de mãe. (Mesmo que tenham comido ovos com salsichas o fim‑de‑semana inteiro! São ovos feitos com tanto amor como a carne assada com esparregado feitos por nós!) E assim estaremos a criar adultos fortes, felizes e justos.
Os filhos são nossos! Meus e dele! Porque saíram de nós.

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9 comentário(s)

30 de Dezembro, 2014 às 11:06:16
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Felizes daqueles que conseguem pensar assim. A magoa dos divórcios não deixa que se tenha essa lucidez, Parabéns, por ti e pelos filhos felizes que tens (de certeza absoluta).

Mariana30 de Dezembro, 2014 às 11:17:22
Responder

Adorei, parabéns!

Papoila30 de Dezembro, 2014 às 11:40:35
Responder

É tão isto Kiki, Adoro os seus textos.

Danielle01 de Janeiro, 2015 às 11:50:24
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Simplesmente lindo!!!

02 de Janeiro, 2015 às 09:52:49
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Não tenho filhos nem nunca me divorciei. Mas conheci de perto um caso de um homem que foi alienado do filho. E muito bem alienado, pois a guerra à ex mulher foi feia e partiu dele. Por ter sido traído, fez-lhe a vida negra a todos os níveis e usou o filho. Não descansou enquanto não virou o miúdo contra a mãe e acredito que aquela criança tenha ficado com mazelas para o resto da vida. Hoje a criança é um jovem adulto e vive com o pai, que foi o objectivo dele. Surpresa das surpresas, o pai agora queixa-se muito do filho que nem o 12º ano consegue acabar ("ele tem que se fazer à vida", diz). Pergunta: não fez a mãe muito bem em alienar o filho do pai? Quantas "alianações" não são para evitar que os homens façam às crianças o mesmo que fazem às ex mulheres?

Isabel03 de Janeiro, 2015 às 10:43:49
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Os filhos são nossos, sim e não se pode reaalmente privar esses seres maravilhosos ao Amor de um dos pais... Pena que nem todos sintam o mesmo. Quando li este texto não pude deixar de refletir nas tantas mães (e claro q também pais) que dedicam parte do tempo com os filhos a tentar colocar um contra o outro. Não pude deixar de pensar nas tantas situações de lutas por algo que é tão genuinamente nosso e fruto de um Amor verdadeiro... Enquanto isso, vivo uma realidade bem diferente...Para mim o mais dificil é lidar com a ausencia quase total do pai na vida dos meus filhos. É triste e desumano assistir a repetidas chamadas de atenção que nunca são ouvidas... Perceber uma certa revolta naqueles corações que só tinham de ser puros e não é fácil... Acho que perceber a desilusão num filho nosso e sermos impotentes para ajudar faz de nós mulheres incompletas!...Afinal as escolhas nunca foram deles mas são eles que têm de levar com o peso do 'abandono', pois na cabeça de muitos pais (e acredito que também mães), os filhos estão "bem entregues ", o que os deixa livres de qualquer compromisso para com os filhos!... Enfim passei os primeiros anos aflita e muito focada nos problemaas financeiros (não é fácil dar um teto, comida, educação, bem estar a duas crianças sozinha e os "nãos " começam a ser mais que muitos) , que não me apercebi que pior que não poder dar um casaco, umas sapatilhas ou simplesmente dizer que não pode ir "àquela" festa de anos porque não há dinheiro para pagar o jantar é sermos incapazes de substituir a ausencia do pai. Por mais que amemos os nossos filhos, por mais que lutemos diariamente para que nada lhes falte, por mais que estejamos presentes e cheias de entusiasmo em todas as atividades que participem e em todos os momentos das suas vidas... Há sempre algo que falta, e isso é injusto! Afinal se eles são nossos , frutos do nosso Amor, nós temos a obrigação de nos dar a eles , de os cosiderar a nossa grande prioridade na vida... Podemos viver felizes na mesma e continuar a ter tempo para as escolhas que fizemos mas sem nunca deixar de lado aquele que é o nosso grande compromisso...Não falhar com os nossos filhos!

Lusiane17 de Agosto, 2015 às 11:09:52
Responder

Como eu gostaria que todos os pais pudessem conviver com os.filhos

sr19 de Agosto, 2015 às 14:30:21
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Queria tanto que fosse assim. Mas quando os filhos choram e imploram à mãe para não ir para o pai? ! Como é possível conseguir ver o copo meio cheio?! Por favor digam-me...porque eu não sou capaz :(

Paula Freitas08 de Fevereiro, 2017 às 17:58:09
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ADOREI O QUE LI. HOJE QUE VIVO ESSA REALIDADE LUTO POR CONSEGUIR DIA APÓS DIA ENCARAR DESSA FORMA. E SEI QUE CONSIGO!!PAI E MÃE É IGUAL, AFINAL OS NOSSOS FILHOS NASCERAM DA FELICIDADE E AMOR DE UM HOMEM E DE UMA MULHER... E O AMOR ACABOU, MAS OS FILHOS SÃO A ETERNA CONTINUIDADE DESSE AMOR. PARABÉNS PELO TEXTO!

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