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Mãe

Ter 37 anos

Por Inês

Não é fácil. É confuso. Até as ideias para escrever sobre isto vêm confusas, aos bocados. A ver se vocês me entendem.

Não sou nova, mas também não sou velha. Estou bem a meio da minha provável linha de vida, desta é que é - 74 anos?

Os 30 são os novos 20, ma non troppo. Gostamos de pensar que ainda somos umas adolescentes por dentro, umas adultas a medo, mas as contas da casa já se pagam há anos. Já equilibramos há muito tempo trabalho, casa, marido, filhos, um prato e pauzinho que se junta ao malabarismo a cada par de anos que passa, como se fossemos umas equilibristas do Circo Chen.

Ainda somos giraças e piropáveis, mas a nossa pele já é de repente tão fininha! E os dois últimos quilos da segunda gravidez entram e saem, a moer-nos a cabeça e a encher o saco. O nosso corpo já não é o que era, por muitas maratonas que corramos atrás da juventude perdida. Ficou algures entre as noitadas de cólicas e a reunião das 17 horas. Oh, well.

Quantas vezes não esbarramos algures entre os trinta com muros no nosso trabalho, aquele que tanto nos ocupava e orgulhava aos vinte e muitos. Ou muros no nosso amor, aquele que jurámos eterno. Muros que erguemos ou que se ergueram. Ou vai ou racha, às vezes ficamos, às vezes damos o salto, pela nossa família, pelos nossos projectos, porque alguma coisa nos atirou para onde não queríamos estar e nós nadamos, porque energia falta-nos mas estamina é o que mais temos. Somos corredoras de fundo. Aos trinta corremos para todo o lado e por todas as causas, as dos outros e às vezes as nossas. Vemos que a vida não é uma estrada de alcatrão, é antes um trail lindo e sinuoso, com paisagens arrebatadoras e rios sem ponte para atravessar. E atravessamos. 

As brancas atormentam-nos, essas filhas da mãe que não lhes bastava serem brancas ainda são mutantes, grossas e todas retorcidas. É assim envelhecer? Mudamos, engrossamos e retorcemos? Seremos mais sábias ou mais lúcidas? Somos mais seguras de quem queremos ser, com todas as nossas contradições. Aceitamo-las e elas fazem-nos pensar, agustiar, por vezes mudar, mas não nos fazem parar.

Aos trinta e muitos a nossa vida é nossa, mesmo que às vezes pareça que a estamos a viver pelos outros. Não estamos, os outros somos nós. E isso preenche-nos porque aos trinta sabemos que o mais importante é o nosso coração, são as nossas paixões, os nossos amores. Sabemos quem queremos e quem não queremos na nossa vida e lutamos por isso. Pelos afectos. O importante são os afectos. 

Já passei os 30, os 35, estou a meio caminho para os 40. É um crescendo que mete medo, mas ao mesmo tempo traz muita força. Sinto-me profundamente feliz e grata por quem tenho ao meu lado, pela minha rede de afectos. Por querer envelhecer ao lado do meu amor e ver crescer os meus amores. Eu, mãe. Eu, mulher.

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1 comentário(s)

Odetty Santos02 de Fevereiro, 2016 às 17:58:25
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Parabéns pelo texto, expressa exatamente o que eu sinto. Eu não era capaz de fazer melhor! Obrigada

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