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Consulta à Pediatra | Vacinas: Por quê fazer

Por Dra. Mariana de Oliveira

A rotina de vacinação faz parte do dia a dia das famílias com crianças. Hoje os calendários de vacinação são bastante completos e objetivam prevenir as doenças mais prevalentes na infância. Atualmente, entretanto, muito se discute se as vacinas não poderiam ser mais prejudiciais do que benéficas, e muitas famílias estão optando por não vacinar os seus filhos. Será que é uma boa ideia?

Hoje o assunto é esse! Vamos lá?                       

Para contextualizar, vamos falar um pouco sobre como surgiram as vacinas. A primeira vacina de que se tem registro surgiu a partir dos estudos do médico inglês Edward Jenner no século XVIII. Na época, era bastante prevalente a doença conhecida como varíola, a qual era extremamente grave e devastadora, com uma mortalidade muito alta. Essa doença é transmitida por um vírus e dá sintomas de febre, calafrios, mal estar, lesões de pele, sendo altamente contagiosa. Edward Jenner observou que pessoas que ordenhavam vacas não eram acometidas por essa doença. A partir daí, com muitos estudos e experiências, ele demonstrou que, ao inocular uma secreção de alguém com a doença em outra pessoa saudável, esta se tornava imune à doença ou si, ou desenvolvia sintomas muito mais fracos. Com isso, foi possível o inicio do desenvolvimento das vacinas contra várias outras doenças, a partir do mesmo raciocínio.

E qual é esse raciocínio?

O que ocorre é que as vacinas funcionam estimulando o sistema imunológico. Quando são aplicadas, elas introduzem vírus ou bactérias inativas no organismo (são os chamados “alergénos” no Brasil), sendo que esses serão reconhecidos pela pessoa que tomou a vacina e produzirão os chamados anticorpos que evitam as doenças causadas pelos respectivos microorganismos. Essa produção de anticorpos ocorre naturalmente no nosso corpo quando pegamos doenças.

As vacinas são tão importantes que, graças a elas, várias doenças foram erradicadas mundialmente, como varíola, e várias foram erradicadas em diversos países, como poliomielite e sarampo. Infelizmente vemos hoje doenças como essa (o sarampo) retornando, justamente por existirem pessoas não vacinadas por aí ainda, que correm o risco de se infectar e depois de transmitir a doença. Para as doenças serem erradicadas, os germes que as causam não podem circular entre as pessoas e, para conseguir isso, só vacinando o maior número de pessoas possível.

E como são escolhidas quais as vacinas que devem ser realizadas?

A partir de muito estudo de órgãos competentes, que têm dados sobre as doenças de maior risco em cada população de cada país, e também estudos sobre a segurança das vacinas, e com o apoio de muitos profissionais altamente capacitados das áreas de saúde coletiva, epidemiologia, infectologia, pediatria, e outras.

E por que tem vacina que devo dar uma vez, outras que devo dar mais vezes?

Isso depende do tipo de doença que queremos prevenir, e da “potência” de cada vacina, ou seja, da capacidade que elas têm de estimular o sistema imunológico da pessoa. A criança só estará totalmente prevenida se receber todas as doses indicadas. Caso não receba as doses de reforço, não é possível garantir que seu sistema imunológico produziu anticorpos suficientes para protegê-la caso entre em contato com o microorganismo causador das doenças.

Ah, mas e os efeitos colaterais?Vale a pena correr o risco, ainda mais se algumas são vacinas contra doenças que nem existem mais?

Aqui é que está o ponto principal de toda esta discussão. Efeitos colaterais podem ocorrer sim, mas os principais são, por exemplo, dor e inchaço no local da aplicação, febre por até 3 dias após a vacina, indisposição e dor no corpo. Efeitos graves são raríssimos, sendo inclusive de notificação obrigatória às autoridades competentes, para considerar inclusive o não uso de lotes inteiros de vacina. É muito mais alta a chance de uma criança adquirir uma meningite grave, por exemplo, que possa precisar de internamento hospitalar, e que pode apresentar sequelas, do que a chance de apresentar um efeito colateral grave a uma vacina, como, por exemplo, uma paralisia transitória, para citar uma situação teoricamente possível, mas muito rara.

ATENÇÃO! Casos individuais devem ser discutidos com o seu pediatra! Existem muitas vacinas, muitos efeitos secundários possíveis e crianças com diferentes histórias e condições clinicas. Tudo isso deve ser avaliado e isso só pode ser feito no consultório do pediatra!

Para mais informações, confere esse vídeo logo abaixo:

Qualquer dúvida que ficou pode deixar nos comentários do vídeo!

Obrigada, e até breve!

Dra. Mariana de Oliveira  Pediatra CRM/SP 150.828

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