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Filhos

Criar o meu filho com consciência do bem e do mal

Por Inês

Hoje foi dia de reunião com a professora do P. Gosto imenso de saber do Pedro e da sua evolução. Há tanto que me escapa do seu dia a dia na escola, das suas conquistas e dificuldades, que estas reuniões põem-me a par e abrem-me todo um pequeno mundo onde o meu miúdo anda.

O P., sendo desembaraçado e muito físico, alegre e sociável, não teve problemas nenhuns em adaptar-se à nova realidade. Bem pelo contrário, ele mergulhou no mundo dos crescidos e acha que "isso é que é vida!" (uma das suas expressões favoritas...) Anda em bando com os amigos, joga futebol e às corridas em todos os intervalos, está à vontade com tudo, dentro e fora da sala de aulas. À vontadinha, eu diria. Se por um lado eu fico aliviada por ele não ser frágil e aguentar-se à bronca, por outro pende muitas vezes para o lado do fanfarrão. Ele é falar demais nas aulas, ele é partir coisas por descuido, ele é declarar alto e bom som que isto e aquilo é facílimo, que ele é o melhor do universo e arredores. Tudo bem, fico descansada por não ter cá problemas de afirmação e auto-estima, mas rapidamente a coisa pode resvalar para a arrogância e presunção.

Notamos que andamos sempre com o Pedro numa balança em constante equilíbrio. Quando ele põe demasiado peso nos seus defeitos, a coisa manifesta-se no seu comportamento, desde logo nas suas respostas e reações, e lá temos de por água na fervura. A primeira manifestação do desequilíbrio da balança está na forma como nos responde e como reage às nossas ordens. 

No mês passado, acabadinho de vir das férias de fim de ano, o Pedro estava pior que nunca: respondão, elétrico (ainda mais que o costume!), falador nas aulas, "surdo" para as nossas ordens e aparentemente para as da professora também. Quando eu soube que tinha andado a levantar-se em plena sala para andar a reinar, parou tudo. Inclusivé a televisão.

Esteve uma semana sem ver televisão, o tempo que foi necessário para vir nova avaliação da semana a dar conta que o menino já não falava "fora de tempo". Estava a maldizer o castigo mas curiosamente correu bem. Como o P é orgulhoso, simplesmente nunca perguntou pela televisão e fazia a vidinha dele como se nada fosse. Ele que acorda às 7 para se pregar na sala, vinha deitar-se connosco roido mas nunca perguntou pela TV. Foi uma semana de exploração no quarto, mais legos e muito futebol de salinha.

O seu comportamento ao longo dos maus dias, além de nos por a mandar vir com ele a sério (o pai andava um trovão autêntico), sistematicamente, uns bons dias,  teve uma consequência palpável dura para ele e aprendeu a lição. Voltou aos eixos e está agora mais atinado. 

O nosso maior desafio hoje em dia, com esta idade, está em fazermo-nos respeitar, em sermos uma figura de autoridade incontestável. Sem autoritarismo, mas sem brincadeiras. Somos os maiores amigalhaços, mas se pisa o risco, o contraste tem de ser claro. O P tem de saber que com os pais não faz farinha e que se a coisa se complica connosco, ele está metido num grande sarilho. A pior coisa que pode acontecer numa sala de aula e numa sala de família é o puto fazer merda e julgar que nada de mais lhe vai acontecer, que entra a 100 e sai a 1000, que ele se safa, que a ele tudo é permitido. Não ter receio das consequências pelos seus actos é o pior que pode passar pela cabeça destes miúdos. Pelo contrário, eles terem a consciência de que há limites, e serem eles a refrearem-se, é o que os vai tornar boas pessoas no futuro. Pessoas com consciência, com empatia. Saberem que estão metidos num sarilho se fizerem asneiras, num primeiro momento porque os pais se vão zangar, porque quem se vai lixar são eles, para depois, numa fase seguinte, saberem que um comportamento está errado, por fazer os outros sofrer, que as suas acções causam um prejuízo a alguém. Primerio ter a consciência das consequências em si, para depois perceber que essas consequências também tocam os outros. Penso que a ordem será essa e esta é a hora de se aprender isso ao mesmo tempo que se leva os pais bem a sério. 

Eu olho para o meu miúdo e vejo claramente que se eu não sou a maior figura de autoridade na vida dele agora, estou a perdê-lo, não é na adolescência que ele vai ligar-me alguma.

O que nós fazemos com o P agora, acaba por ser o que sempre fizemos, mas com maior ética como pano de fundo, mais explicação. Nunca deixamos passar um comportamento que não achamos bem. Nunca. Se para mim é inaceitável que ele me responda torto, eu nunca vou permitir que me responda torto. E quantas vezes eu tenho de parar tudo e perguntar, "Como Pedro, o que é que disseste? Volta a dizer isso como deve ser." E ele baixa a bola. 

Não aceito que me levante a voz, que responda torto, que seja mal encarado, que seja irascível ou impaciente. Quer estejamos na nossa sala ou em pleno centro comercial. 

O maior indicativo de que tudo vai correndo bem é a professora dizer-me que se o P anda agitado, basta-lhe dizer que manda recado para casa para o puto meter imediatamente a viola no saco. E sossegar, parar para por a cabeça no lugar e atinar com o que está certo e o que está errado.

Ainda temos uns anos disto, certo? Oh boy...

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1 comentário(s)

Julia15 de Março, 2017 às 20:12:06
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Olá, parabéns pelo artigo. Eu penso da mesma forma, nesse [mundo hoje](http://mundohoje.com.br/) temos que nos manter firmes para definir o que pode ser bom e mal para nosso filhos.

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